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A Queixa NÃO é o DIAGNÓSTICO: É a primeira página do livro.

Colegas da Psicopedagogia, Neuropsicopedagogia e áreas afins, vamos conversar sobre o ponto de partida de todo o nosso trabalho: a acolhida e análise da queixa.

Seja no consultório, na escola ou na clínica, ela chega até nós: “Não aprende a ler”, “É desatento”Não faz a lição”“Tem dificuldade em matemática”“Suspeitamos de um transtorno”. É tentador, pelo volume de casos ou pela pressão por respostas, pegar essa queixa como um diagnóstico pronto e partir para as intervenções padronizadas.

Mas aqui vai o nosso primeiro e mais crucial lembrete profissionalA queixa é um sintoma, não a causa. É a ponta visível de um iceberg complexo e único.

Quando tratamos apenas a ponta, nosso trabalho se torna superficial e, muitas vezes, ineficaz a longo prazo. O verdadeiro processo de transformação começa quando decidimos mergulhar.

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🔍 Para quem está começando: O que está POR TRÁS da queixa?

A sua missão na avaliação não é “confirmar” a queixa, mas desvendá-la. Cada palavra dita por quem traz a criança/adolescente é uma pista. Suas ferramentas mais importantes nessa fase são:

  1. A Escuta Ativa e sem Julgamentos: Ouça a família, a escola e, principalmente, o sujeito que aprende. O como contam é tão importante quanto o que contam.
  2. A Anamnese Rica e Detalhada: Não seja burocrática. Questione o desenvolvimento, os marcos, as mudanças, os hábitos, os medos, os sonhos. A queixa de hoje tem raízes no passado.
  3. A Observação Lúdica e Contextual: Como essa dificuldade se manifesta na ação? Como ele lida com o erro, com o novo, com a frustração no jogo?

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💡 Para quem já atende, mas sente que algo pode se aprofundar: Perguntas que nos tiram da zona de conforto

Já fazemos a anamnese, aplicamos os testes… mas estamos realmente conectando os pontos? Reflita:

  • O que essa dificuldade protege ou comunica? (Ex.: A “preguiça” pode estar protegendo da dor de tentar e falhar; a “agitação” pode estar comunicando uma ansiedade paralisante).
  • Quando e como esse “sintoma” surgiu? Foi gradativo ou após um evento específico (mudança, perda, pandemia)?
  • A queixa é do sujeito ou é um desencontro de expectativas do meio (família/escola)? Estamos diante de uma Dificuldade de Aprendizagem ou de um Desencontro no Processo de Ensinagem?
  • Que habilidades estão preservadas? Nossa luz não pode focar apenas no “não consegue”. As ilhas de competência são as portas de entrada para a intervenção.

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⛑️ Nosso Ofício é de Detective, não de Técnico de Reparos.

Nosso papel não é colocar uma “band-aid” pedagógico. É sermos investigadores sensíveis da história de aprendizagem. É entender que por trás de uma disortografia pode haver um problema de processamento auditivo, sim, mas também pode haver uma autoimagem frágil ou uma ansiedade de desempenho que trava a mão.

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Convite Final:

Vamos nos comprometer, hoje, a dar um passo a mais na próxima avaliação. Vamos olhar para a queixa não como um ponto final, mas como o título intrigante de um livro que precisamos ler com cuidado, capítulo por capítulo, até entender sua trama completa.

Só então nossa intervenção deixará de ser um “treino” e se tornará uma verdadeira reconstrução da relação do sujeito com o saber.

 E você, colega, como trabalha a análise da queixa no seu dia a dia? Tem alguma pergunta ou insight que costuma guiar sua investigação? Vamos trocar! 👇

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