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Transtorno Severo de Aprendizagem/Leitura e Escrita – Estudo de Caso

Caso Ana Bely: Ana Bely foi encaminhada por uma psicóloga que atendia uma tia da menina. Esta sensível psicóloga suspeitou que a menina tivesse dislexia pelas dificuldades enfrentadas pela menina na alfabetização. O teste psicológico (WISC) evidenciou adequadas condições intelectuais. Depois de encaminhada à neuropediatra que encontrou “quadro compatível com dislexia”, foi sugerida avaliação psicopedagógica para confirmação do diagnóstico.

Daise cursou a 1ª série em 1993 e passou para a 2ª “pois estava quase no estalo”. Teve aulas de reforço na escola, mas foi reprovada ao final do ano.

Enquanto repetia a 2ª série, iniciou tratamento psicopedagógico (de orientação psicológica) em março de 95 que durou todo o ano. Conforme relato pessoal da psicopedagoga, ela achava que Ana Bely não aprendia por bloqueio (problemas com suas histórias pessoais) e, portanto, passou o ano inteiro fazendo atividades livres, desenhos dela e da família, histórias e jogos. Para esta profissional Ana Bely não escrevia textos porque “história para ela era coisa ruim”.

Ao final do ano estava ameaçada de ser reprovada, mas a mãe conseguiu, invocando uma lei, que ela fizesse provas em março/96. Por essa razão estava sendo avaliada para ajudar a decidir se ela repetiria a 2ª série ou iria para a 3ª. Ana Bely não queria fazer novos testes na escola com medo de ser reprovada.

Fruto de gestação não planejada e com muitas dores, que exigia repouso, a menina nasceu de parto demorado mas obteve apgar 9. Custou a adaptar-se ao leite e utilizou bico e mamadeira até 5 anos. Tinha alterações do sono: pesadelos e solilóquio.

Na família, a mãe teve dificuldades de fala, o pai trocava sonoras por surdas na escrita e o irmão de 13 anos teve dificuldades de aprendizagem e reprovou na 1ª, 3ª e 5ª série.

A equipe de especialistas constituída pela psicóloga, neurologista e psicopedagoga estabeleceu, então, o diagnóstico de Transtorno Severo de Leitura e Escrita (ou Dislexia) considerando-se sua evolução, bem como os critérios expressos pelo CID-104. Ana Bely apresentava:

  • Um grau clinicamente significativo de comprometimento nas habilidades escolares de leitura e escrita, substancialmente abaixo do esperado para uma criança com a mesma idade, nível mental e de escolarização;
  • Um comprometimento desde os primeiros anos de escolaridade;
  • Problemas persistentes que não evoluíram significativamente, apesar de um trabalho pedagógico e psicopedagógico;
  • Inteligência, medida pelo wisc com a pontuação de 98 (nível médio);
  • Presença de antecedentes familiares com dificuldades escolares;
  • Dificuldades que não eram conseqüência de uma falta de oportunidade de aprender, ou de descontinuidades educacionais resultantes de mudanças de/ na escola nem decorrentes de qualquer forma de traumatismo; de doença cerebral adquirida ou de comprometimentos na inteligência global. Também não eram diretamente decorrentes de comprometimentos visuais ou auditivos não corrigidos.

Fonte: http://www.revistapsicopedagogia.com.br

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