Profissionais tem confundido Sintomas de SPA com os de TDAH

Augusto Cury ressalta em seu livro que, em todo o mundo, neurologistas, psiquiatras e psicopedagogos estão fazendo diagnósticos errados.

“Ao verem um jovem desconcentrado, irritadiço, inquieto, com baixo limiar para a frustração, diagnosticam como hiperatividade ou transtorno de déficit de atenção, em vez de SPA. Os sintomas são semelhantes, mas as causas e a abordagem são distintas”, afirma.

Principais Sintomas da SPA:

As principais características de uma pessoa com síndrome do pensamento acelerado incluem:

  • Ansiedade;
  • Dificuldade para se concentrar;
  • Ter pequenos lapsos de memória de forma frequente;
  • Cansaço excessivo;
  • Dificuldade para pegar no sono;
  • Irritabilidade fácil;
  • Não conseguir descansar o suficiente e acordar cansado;
  • Inquietação;
  • Intolerância ao ser contrariado;
  • Mudança de humor repentina;
  • Insatisfação constante;
  • Sintomas psicossomáticos como: dor de cabeça, nos músculos, queda de cabelo e gastrite, por exemplo.

Além disso, também é comum a sensação de que as 24 horas do dia não são suficientes para fazer tudo o que deseja.

Saiba mais: Síndrome-do-Pensamento-Acelerado

SINTOMAS DA HIPERATIVIDADE

Os sintomas do TDAH incluem:

  • Impulsividade (agir sem pensar);
  • Agitação motora (crianças: correm, levantam, sobem em lugares e adultos: “batucam”, mexem as pernas, mudam de posição, etc);
  • Machucados e pequenos acidentes decorrentes;
  • Dificuldade em manter a atenção, mudando o foco rapidamente;
  • Falta de paciência;
  • Irritabilidade com pessoas mais “lentas”;
  • Dificuldade de ouvir pessoas concluírem suas falas;
  • Dificuldade de finalizar atividades;
  • Dificuldade de memória.

Saiba mais: TDAH-e-Hiperatividade-o-que-quais-os-sintomas-como-tratar?

Observem os sintomas de ambos (SPA e TDAH), vejam que existem muitas semelhanças entre os sintomas e que facilmente podem ser confundidos, caso não aconteça uma Investigação minuciosa da queixa apresentada. É necessário avaliar todos os fatores que giram em torna da situação.

Para diagnosticar TDA ou TDAH é necessário realizar uma avaliação multidisciplinar e um diagnóstico diferencial exaustivo, com o objetivo de excluir que uma sintomatologia inadaptada ou disfuncional seja causada pela presença de uma desordem do humor, uma desordem de aprendizagem ou desenvolvimento, ou outras patologias.

De acordo com Cury a SPA ou Síndrome do Pensamento Acelerado, produz alguns sintomas semelhantes aos da hiperatividade, mas suas causas são diferentes. Na hiperatividade temos uma causa genética e com muita frequência os sintomas da ansiedade, ou seja, agitação e inquietação aparecem já na primeira infância e é muito comum encontrarmos familiares com o mesmo diagnóstico. Já na SPA esta inquietação é construída pouco a pouco ao longo dos anos e entre as suas causas encontramos o excesso de estímulos, de informação, de atividades e até de brinquedos.

Vivemos na era da tecnologia, para qualquer lado que olhemos encontramos pessoas com celulares, notebooks ou tablets, navegando no whatsapp, enviando e recebendo mensagens e imagens ilimitadas, portanto, recebendo informações de inúmeras fontes e por diversos sentidos.

Infelizmente essa situação também já faz parte da vida de muitas crianças, o que tem causado uma grande confusão em muitos diagnósticos.

Vemos constantemente crianças ainda bebês que ficam muito tempo grudadas nos celulares e tablets. Muitos pais tem utilizado desses recursos para poder ter um tempo “livre” ou realizar suas tarefas diárias.

A grande quantidade de estímulos e informações recebidas, somada ao excesso de compromissos e a uma demanda emocional que para grande maioria das pessoas é desgastante satura o córtex cerebral, tornando os seres humanos em seres hiperpensantes.

Os bebês estão tendo um contato cada vez mais cedo e frequente com tablets e smarthphones, o que especialistas alertam para os riscos dessa alta exposição.

A Academia Americana de Pediatria e a Sociedade Canadense de Pediatria faz um alerta sobre algumas razões pelas quais crianças menores de 12 anos não devem utilizar esses aparelhos sem controle dos pais, sendo que bebês de 0 a 2 anos não devem ter contato algum com essa tecnologia e crianças acima de 2 anos devem ter o uso restringido a uma hora por dia.

O estudo feito aponta graves consequências no desenvolvimento e comportamento dos bebês que estão constantemente expostos à tecnologia dos tablets e smathphones. São elas:
  • Desenvolvimento cerebral da criança: O cérebro de um bebê cresce muito rapidamente nos primeiros anos de vida, sendo triplicado o tamanho até completarem dois anos de idade. Uma alta exposição às tecnologias pode causar o aceleramento do crescimento cerebral, causando déficit de atenção, atraso cognitivo, distúrbios de aprendizado, aumento da impulsividade e falta de controle das próprias emoções (as famosas “birras”). Causam ainda, diminuição da concentração e memória dos pequenos.
  • Obesidade Infantil: o sedentarismo que implica o uso das tecnologias é um dos problemas que está aumentando entre as crianças. Estima-se que crianças com aparelhos eletrônicos no quarto têm 30% mais chance de serem obesas. Além disso, a obesidade leva a outras doenças mais graves, como o diabetes, problemas vasculares e cardíacos.
  • Atraso no desenvolvimento da criança: Ao usar em excesso as tecnologias disponíveis pode acarretar a limitação do movimento e consequentemente o rendimento acadêmico, a alfabetização, atenção e as capacidades.
  • Alteração do Sono Infantil: A maioria dos pais não supervisiona o uso das tecnologias pelos seus filhos quando estão em seu quarto, seja ela internet ou televisão. A constante utilização desses recursos pode acabar gerando dependência na criança em diferentes níveis. Um dos problemas relacionados a isso se dá ao fato de muitas crianças deixam de dormir para jogar, assistir filmes ou simplesmente conversar pela internet. Essa rotina pode causar várias consequências psicológicas, como também diminuir o rendimento escolar. Vale lembrar que a falta de sono noturno pode acarretar problemas de crescimento.
  • Problemas emocionais: Há diversos estudos realizados em todas as partes do mundo que ligam o uso excessivo das tecnologias a uma séria de distúrbios mentais como a depressão, ansiedade, autismo, transtorno bipolar, psicose e distúrbios no processo de vinculação entre pais e filhos.
  • Demência digital: Psicólogos e pediatras tanto da Academia Americana de Pediatria quanto da Sociedade Canadense de Pediatria afirmam que conteúdos multimídias em alta velocidade reduzem as faixas neuronais para o córtex frontal, que podem contribuir para o aumento do déficit de atenção, causando problemas de concentração e memória.
  • Emissão de radiação: A Organização Mundial de Saúde (OMS) classifica os celulares como um risco na emissão de radiação. Ainda é muito polêmica e pouco conclusiva a discussão sobre a relação entre o uso de celulares e o surgimento de câncer cerebral. Porém, os cientistas concordam que as crianças são mais sensíveis aos agentes radioativos do que os adultos, correndo um risco maior de contrair doenças como o câncer. Dessa forma, pesquisadores canadenses acreditam que a radiação que os celulares emitem deveria ser classificada como “provavelmente cancerígena” para as crianças.
  • Condutas agressivas: Crianças tendem a repetir os comportamentos dos adultos e de personagens que consideram referência, elas imitam o que costumam e gostam de ver. Assim, quanto mais expostos a jogos e vídeos violentos e agressivos, mais chance de ocasionar problemas de agressividade, alterando a sua conduta. Dessa forma, os pais devem estar constantemente em vigia do conteúdo e uso de smathphones e tablets pelos seus filhos.
  • Vício infantil: O uso em excesso desses aparelhos, ainda, pode causar dependência. Estudos demonstram que uma a cada 11 crianças são viciadas às novas tecnologias, se distanciando do seu meio, amigos e familiares.
  • Superexposição: O constante uso de aparelhos para se conectar à rede tornam as crianças vulneráveis e sujeitas a serem exploradas e expostas a abusos. Há um aumento considerável em casos de pedofilia e crimes relacionados a encontros de crianças com desconhecidos que conhecem pelas redes sociais.

Porém, não dá para descartar totalmente o uso dessas tecnologias na educação dos filhos. A internet permite que as crianças tenham mais informações e alie aos estudos, porém cabe aos pais o controle dessa exposição. É necessário que os pais(responsáveis) mantenham o controle, fazendo com que os mesmos tenham disciplina e horários para a utilização dos aparelhos.

Fonte da Pesquisa: Os-prejuizos-do-uso-de-celulares-por-criancas-e-bebes

Saiba mais: Por que tanta Discrepância nos Diagnósticos voltados para Aprendizagem?

Investigação Intensificada é cada vez mais necessário.

A partir do contexto acima é crucial realizar uma investigação precisa, levando em consideração todos os fatores e aspectos relacionados ao desenvolvimento do paciente/aprendente, como:

Aspectos:
  • a) Aspecto físico-motor:é a consideração do crescimento orgânico, da maturação neurofisiológica, da capacidade de manipulação de objetos e do exercício do próprio corpo.
  • b) Aspecto intelectual: é a capacidade de pensar, de raciocinar.
  • c) Aspecto afetivo-emocional: é o modo particular de cada indivíduo integrar suas experiências, é o sentir.
  • d) Aspecto social: é a maneira como o indivíduo reage diante das situações que envolvem outras pessoas.
Fatores:
  • Hereditariedade: é a carga genética do indivíduo que será capaz de estabelecer a sua potencial, que poderá ou não se desenvolver.
  • Crescimento orgânico: é o aspecto físico que considera o processo dinâmico que se apresenta visivelmente pelo aumento do tamanho corporal.
  • Maturação neurofisiológica: é o que torna possível determinado padrão de comportamento, ou seja, existe um equipamento neurofisiológico que passa por uma evolução determinada por fatores biológicos.
  • Meio: é o conjunto de influências e estimulações ambientais que pode alterar os padrões de comportamento do indivíduo, cada um, é constituído numa interação entre o meio e o indivíduo.

Saiba mais: Desenvolvimento humano: Fatores e Aspectos

De todos os aspectos e fatores apresentados um merece atenção muito especial que é o “MEIO”, visto que pais(responsáveis) tem omitido informações importantíssimas para a realização de um diagnóstico preciso. Por vezes os mesmos nem sempre contam a verdade no momento da Anamnese, deixando para trás informações que podem mudar todo o processo. Casos como esses tem sido cada vez mais frequente e tem causado sérias discrepâncias nos diagnósticos realizados.

A investigação nas escolas também tem sido ineficazes, alguns profissionais ainda utilizam formulários que não dão bons resultados sobre o paciente/aprendente acompanhado, outros nem se quer levam em conta o quesito “ESCOLA”.

É na escola, propriamente dito, na sala de aula que acontece situações inesperadas e que falam muito sobre o comportamento de cada um.

Depois da família vem a escola, geralmente aquilo que não se faz, nem se fala em casa é feito e falado na escola, com os colegas e por vezes até mesmo com alguns professores. Dessa forma, um dos melhores lugares para se investigar mais a fundo é na escola.

E quando a mesma é muito distante ou quase que inacessível, o que fazer?

Quando a escola é muito distante indicamos que se encaminhe fichas e formulários de entrevista para o(s) professor(es) e direção. Os pais podem servir como ponte nesse caso, facilitando a chegada desses documentos a escola, assim como de volta ao profissional. Lembrando que o documento deverá sair do espaço/clínica em um envelope lacrado e retornar lacrado pela escola. Outra maneira é enviar para o e-mail da escola.

Contudo, sabemos que devemos ter em mente que muitos profissionais não se encontram preparados para conduzir certas situações, nesse caso, é preciso que cada um faça uma auto reflexão, buscando ajuda o mais rápido possível. O que não deve acontecer é emitir diagnósticos errados que podem prejudicar e muito o futuro de milhares de pessoas.

Se você é Psicopedagogo e(ou) NPp e precisa de ajuda:Supervisão Psicopedagógica e Neuropsicopedagógica

Se você é Psicólogo e também precisa de apoio: Supervisão Psicólogos


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