O que difere: Dificuldade, Distúrbio e Transtorno?

Há uma imensa confusão em relação ao que é: dificuldade, distúrbio e transtorno.

A palavra distúrbio pode ser traduzida como “anormalidade patológica por alteração violenta na ordem natural”. Assim, o distúrbio é uma disfunção no processo natural da aquisição de aprendizagem, ou seja, na seleção do estímulo, no processamento e no armazenamento da informação e, conseqüentemente, o problema aparece na emissão da resposta.

transtorno decorre de uma disfunção na região frontal do cérebro, que provoca perturbação na pessoa devido à falha na entrada do estímulo, e da integração de informações, comprometendo a atenção seletiva e gerando impulsividade e dificuldade vísuo-motora. As respostas em tarefas que exigem habilidade de leitura e memória de trabalho são inibitórias. Com isso, esse quadro transtorna a vida da pessoa, em razão do evidente comprometimento comportamental.

Já a principal característica da dificuldade é ser escolar.

Nas dificuldades escolares estão inseridos os atrasos no desempenho acadêmico por falta de interesse, perturbação emocional, inadequação metodológica ou mudança no padrão de exigência da escola, quer dizer, advêm de diversas alterações evolutivas normais que, no passado, já foram consideradas como alterações patológicas.

Pain (1981) considera a dificuldade de aprendizagem um sintoma, que cumpre uma função positiva, tão integrativa como o próprio aprender: por ser intimamente ligada às mudanças sociais e culturais, à escola, às metodologias empregadas e, muitas vezes, ao despreparo profissional, a percepção do problema e das suas origens é o caminho para a intervenção adequada, que passa também pelo exercício de uma melhor prática pedagógica.

Por serem de origem interna, distúrbios e transtornos independem do desejo que o portador possa ter de desempenhar atividades da forma que a família, a escola ou a sociedade esperam dele. Ele precisa, portanto, de ajuda especializada, para atingir os objetivos de desempenho social e acadêmico satisfatório.

Dificuldade de aprender é diferente de transtorno de aprendizagem. 

Desde o nascimento algumas reações da criança são normais, o problema torna‑se um distúrbio ou transtorno quando a criança não demonstra nenhuma reação a estímulos, chora constantemente, grita demasiadamente, não dorme ou dorme demais.

Na visão comportamentalista, distúrbio e transtorno são nomenclaturas que equivalem, ou seja, tanto a palavra distúrbio quanto a palavra transtorno são usadas em uma mesma situação, diferentemente da visão neurológica, que faz distinção entre distúrbio e transtorno.

Para França (1996), estudioso comportamentalista, os termos dificuldade,distúrbio e transtorno têm suas diferenças. A dificuldade nãoestá centrada somente no aluno, ou seja, no seu processo de aprendizagem, mas também no processo de ensino (professor), em uma situação emocional e na organização social. A dificuldade é pontual e deve ser trabalhada por especialistas das áreas pedagógica, fonoaudiológica e/ ou psicológica para que seja excluída.

O distúrbio ou transtorno já difere da dificuldade por ser relacionado a algo patológico, que sugere comprometimentos neurológicos das funções cerebrais. Os especialistas que trabalham com esses problemas são os neurologistas e/ou psiquiatras, conforme cada caso (OLIVER, 2010).

De acordo com o Comitê Nacional de Dificuldades de Aprendizagem, nos Estados Unidos distúrbios de aprendizagem é a designação genérica de um grupo heterogêneo de alterações manifestas por dificuldades significativas na aquisição e no uso da audição, da fala, da leitura, da escrita, do raciocínio ou de habilidades matemáticas. Essas alterações são intrínsecas ao indivíduo e presumivelmente devidas à disfunção do sistema nervoso central.

Apesar de um distúrbio de aprendizagem poder ocorrer concomitantemente com outras condições desfavoráveis (por exemplo, alteração sensorial, retardo mental, distúrbio social ou emocional) ou influências ambientais (como diferenças culturais, instrução insuficiente/inadequada, fatores psicogênicos), não é resultado direto dessas condições ou influências (PERRAUDEAU, 2009, p. 119).

Um aluno com distúrbio de aprendizagem apresenta algumas características que devem ser observadas atentamente pelo professor (PERRAUDEAU, 2009, p. 117):

• refugia‑se no mutismo, ou seja, evita falar, recusa‑se a ir ao quadro, participa pouco, deixa‑se esquecer;
• tem o sentimento, às vezes correspondente à realidade, de não ser ouvido, de ser excluído, de ser rejeitado pelo professor;
• sente‑se marginalizado ou mantido afastado por seus colegas no recreio, não se sente à vontade com seus amigos, tem difi‑
culdade em se inserir em uma atividade em grupo;
• busca de forma exclusiva o contato com o adulto, fala facilmente com os professores, mas tem pouco contato com os colegas;
• perde o apetite, recusa‑se a comer antes de ir à escola, queixa‑se de dor de barriga ou dor de cabeça;
• opera uma separação considerável entre a vida escolar e a vida familiar.

Entretanto, esses indicadores não devem ser considerados como fatores determinantes, pois há alunos que falam pouco e brincam sozinhos sem que isso seja um indicador de dificuldade, pois essas ações fazem parte da sua personalidade. Descartando-se essas condutas particulares, porém, esses indicadores discretos podem denotar grandes problemas com a escola, com a sala de aula, os colegas e os professores e, por essa razão, devem ser levados em conta.

Quais são os tipos de Transtornos de Aprendizagem?

Tanto o CID-10, como o DSM-V apresentam basicamente três tipos de transtornos específicos: o Transtorno com prejuízo na leitura, o Transtorno com prejuízo na matemática, e o Transtorno com prejuízo na expressão escrita. A caracterização geral destes transtornos não difere muito entre os dois manuais.

O CID-10 esclarece que a etiologia dos Transtornos de Aprendizagem não é conhecida, mas que há “uma suposição de primazia de fatores biológicos, os quais interagem com fatores não-biológicos”. Ambos os manuais informam que os transtornos não podem ser consequência de:

• falta de oportunidade de aprender;
• descontinuidades educacionais resultantes de mudanças de escola;
• traumatismos ou doença cerebral adquirida;
• comprometimento na inteligência global;
• comprometimentos visuais ou auditivos não corrigidos;

Causas?

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De acordo com o DSM-V, o transtorno específico da aprendizagem é um transtorno do neurodesenvolvimento com uma origem biológica que é a base das anormalidades no nível cognitivo as quais são associadas com as manifestações comportamentais.

Tratamento

A maioria das crianças necessita de intervenção psicopedagógica e/ou fonoaudiológica e continua participando das aulas convencionais oferecidas pela escola. Porém, existem casos em que o grau do transtorno exige que a criança passe por programas educativos individuais e intensivos. Independentemente do caso, é importante que a criança continue a assistir e a participar das atividades escolares normais. O tratamento farmacológico, associado ao atendimento psicopedagógico deve ser dirigido por um psiquiatra ou neurologista, sendo indicado, por exemplo, em casos nos quais as capacidades de atenção e concentração da criança encontram-se debilitadas.


Fontes de Pesquisas:

http://ava.opet.com.br/conteudo/editora/curso_cosmopolis/dificuldades_apr_escolar/PDF_dif_apr_esc_unidade4.pdf

AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais. 5ª edição. Porto Alegre: Artmed, 2014.

CIASCA, S. M. (org.) Distúrbios de aprendizagem: proposta de avaliação interdisciplinar. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2003, 220p.

http://plenamente.com.br/artigo.php?FhIdArtigo=194

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Um comentário em “O que difere: Dificuldade, Distúrbio e Transtorno?

  • 11 de novembro de 2018 em 20:13
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    Excelente….
    Parabéns por esse maravilhoso Blog…..

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