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Resolução do Caso 01 “Mateus”: O que você deveria ter feito Psico & Neuropsicopedagogo?

Olá Psicos e Neurpsicos, hoje vamos descobrir a resolução do caso Mateus, aquele estudo que fizemos para testar nossas habilidades de investigação. Então, vamos lá!

PASSO 1: ANÁLISE DA QUEIXA (Sessões 1-2)

Identificação do problema real:

  • Queixa superficial: “Não aprende”
  • Problema possível: Ansiedade escolar + problemas sensoriais + método inadequado
  • Pergunta-chave feita: “Quando NÃO ocorrem as dificuldades?”
  • Resposta importante: “Em casa, quando estou calmo”

PASSO 2: TRIANGULAÇÃO DE INFORMAÇÕES

Comparação contextos:

ComportamentoEscolaCasaClínica
ParticipaçãoBaixaAltaMédia
Atenção5 min20 min15 min
Erros70%30%40%
AnsiedadeAltaBaixaMédia

Conclusão: Problemas são contextuais, não constitucionais.

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PASSO 3: IDENTIFICAÇÃO DE FATORES

Fatores identificados:

  1. Ansiedade escolar (mudança traumática de escola)
  2. Problema visual (hipermetropia → fadiga visual)
  3. Sobrecarga sensorial (“ouvir tudo ao mesmo tempo”)
  4. Método pedagógico inadequado (construtivista → tradicional)
  5. Expectativas inadequadas (pais com alta formação)
  6. Memória de trabalho limitada
  7. Velocidade processamento mais lenta

PASSO 4: DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL

Considerados:

  1. Deficiência intelectual (descartada – QI adequado)
  2. TDAH (descartado – atenção preservada em contexto adequado)
  3. Transtorno de aprendizagem específico (descartado – desempenho adequado quando fatores controlados)
  4. Transtorno de ansiedade (confirmado)
  5. Problemas sensoriais (confirmados)

PASSO 5: HIPÓTESE DIAGNÓSTICA FINAL

Diagnóstico Primário:

  • F41.1 Transtorno de Ansiedade Generalizada com manifestações escolares
  • Problemas sensoriais não diagnosticados (visual e processamento auditivo)

Condições Contribuintes:

  • Z55.9 Problemas relacionados com educação (método inadequado, expectativas altas)
  • Z60.3 Problemas de ajustamento (mudança escolar traumática)
  • Z73.4 Estrésse social (sobrecarga sensorial em ambiente escolar)

Diagnósticos Excluídos:

  • F70-F79 Deficiência intelectual: Capacidade cognitiva preservada
  • F81.x Transtornos específicos de aprendizagem: Desempenho adequado quando ansiedade controlada
  • F90.x TDAH: Atenção preservada em contextos de baixa ansiedade

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PASSO 6: FORMULAÇÃO DO CASO

“Mateus é uma criança com capacidade cognitiva média-alta e processamento sensorial mais sensível que, após uma mudança escolar traumática (de método construtivista para tradicional), desenvolveu ansiedade escolar significativa. Seus ‘sintomas’ de dificuldade de aprendizagem representam: (1) fadiga visual por hipermetropia não corrigida; (2) sobrecarga sensorial em ambiente escolar barulhento; (3) bloqueio cognitivo por ansiedade; (4) incompatibilidade entre seu estilo de aprendizagem (mais lento, reflexivo) e o método de ensino atual (rápido, expositivo).”

PASSO 7: PLANO DE INTERVENÇÃO CORRETO

Imediato (1ª semana):

  1. Correção problema visual (óculos)
  2. Adaptação na sala: Assento perto do professor, longe de janelas/portas
  3. Redução pressão por desempenho
  4. Início psicoterapia para ansiedade

Curto prazo (1º mês):

  1. Terapia ocupacional para integração sensorial
  2. Adaptações metodológicas: Mais tempo, menos quantidade
  3. Reunião escola-família: Alinhamento expectativas
  4. Sistema de comunicação positiva escola-casa

Médio prazo (1º trimestre):

  1. Desenvolvimento estratégias autorregulação
  2. Gradual exposição a situações ansiogênicas
  3. Fortalecimento autoestima acadêmica
  4. Monitoramento progresso

PASSO 8: INDICADORES DE SUCESSO

  1. Ansiedade reduzida para <40/90 em 3 meses
  2. Participação em sala aumentada em 50% em 2 meses
  3. Erros por “desatenção” reduzidos em 70% em 3 meses
  4. Autoavaliação positiva sobre escola em 4 meses

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PASSO 9: REAVALIAÇÃO

  • Em 3 meses: Verificar eficácia intervenções
  • Em 6 meses: Avaliação formal do progresso
  • Critério para reavaliação diagnóstica: Apenas se, após intervenções, dificuldades significativas persistirem

CHECKLIST DE AVALIAÇÃO DO SEU DESEMPENHO:

ACERTOS ESPERADOS:

✅ Investigou fatores sensoriais antes de cognitivos
✅ Comparou comportamento em múltiplos contextos
✅ Considerou fatores emocionais como causa primária
✅ Excluiu deficiência intelectual com evidências
✅ Identificou discrepância expectativas-capacidade
✅ Considerou adequação pedagógica
✅ Desenvolveu plano multifocal
✅ Envolveu família e escola no processo

ERROS COMUNS A EVITAR:

❌ Diagnosticar sem corrigir problemas sensoriais
❌ Ignorar impacto da ansiedade no desempenho
❌ Não considerar histórico de eventos estressores
❌ Pressa em fechar diagnóstico neurodesenvolvimental
❌ Negligenciar adequação método de ensino
❌ Não triangular informações entre família e escola

PONTUAÇÃO DO SEU DESEMPENHO:

  • Identificou ansiedade como fator primário: 25 pontos
  • Investigou fatores sensoriais adequadamente: 20 pontos
  • Considerou contexto escolar: 15 pontos
  • Excluiu diagnósticos incorretos: 20 pontos
  • Desenvolveu plano intervenção adequado: 20 pontos

TOTAL MÁXIMO: 100 pontos

INTERPRETAÇÃO:

  • 90-100: Excelente raciocínio clínico
  • 75-89: Bom, algumas melhorias possíveis
  • 60-74: Necessita revisar protocolos
  • <60: Repensar abordagem diagnóstica

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LIÇÕES APRENDIDAS COM ESTE CASO:

  1. A ansiedade pode mimetizar qualquer transtorno de aprendizagem
  2. Problemas sensoriais não diagnosticados são comuns e impactantes
  3. O método de ensino pode ser a causa, não a criança o problema
  4. Expectativas familiares inadequadas criam pressão que gera ansiedade
  5. A observação em múltiplos contextos é essencial
  6. Intervir primeiro no que pode ser corrigido rapidamente (visão, ansiedade)
  7. O diagnóstico final muitas vezes é multifatorial

LEMBRETE FINAL: “Mateus não tinha um transtorno de aprendizagem. Tinha ansiedade, problema visual não corrigido, e estava em um ambiente escolar inadequado para seu perfil. O bom diagnóstico não encontrou um rótulo para a criança – encontrou problemas no ambiente que, quando corrigidos, permitiram que a criança mostrasse seu verdadeiro potencial.”

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