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Foco Intermitente ou TDAH Nutricional? O Caso da Criança que Comia só Industrializados e era Chamada de Desatenta

Por: Daliane Oliveira
Psicopedagoga e Cientista — Uma Sherlock Holmes da Aprendizagem

Olá Colegas hoje vamos continuar aprendendo sobre o 2º Eixo: Alimentação do Protocolo Homes Oliver – desenvolvido por mim Pp. Daliane Oliveira após 20 anos de estudos, pesquisas e muita dedicação com aplicação na prática com Crianças e Adolescentes na África do Sul/Kênia e vários estados do Brasil. Vou compartilhar com vocês minhas experiências e um modo eficiente de identificar, Avaliar e Intervir em nossas analises profissionais. Vamos nessa 🙂


O Mistério Chega ao Consultório

Era uma manhã de terça-feira quando a mãe de Pedro, 9 anos, sentou-se à minha frente com os olhos marejados. Nas mãos, ela apertava um relatório escolar de três páginas. “Ele não para quieto. A professora diz que vive ‘voando’ na sala, esquece o material, não termina as atividades. A escola está pressionando para que eu leve a um neurologista, dizem que pode ser TDAH.”

Pedro, um menino esperto e comunicativo, puxava os brinquedos da prateleira enquanto eu observava. Em 20 minutos, trocou de atividade cinco vezes. Sim, os sinais de desatenção e hiperatividade estavam lá. O caso parecia resolvido, um TDAH clássico. Mas algo me incomodava.

Foi quando pedi que a mãe descrevesse um dia típico de alimentação de Pedro que o verdadeiro mistério começou a se desenrolar.

“Café da manhã? Ele toma iogurte de morango daqueles de caixinha, com achocolatado e biscoito recheado. No lanche da escola, leva suco de caixinha e salgadinho. No almoço, ele é muito difícil, só quer nuggets e batata frita. À tarde, mais biscoito, refrigerante aos fins de semana…”, listou a mãe, como quem descreve a rotina de qualquer criança brasileira.

Foi ali que acenderam-se as luzes amarelas no meu painel de investigação. E se o problema não fosse (apenas) um transtorno do neurodesenvolvimento? E se o cérebro de Pedro estivesse, literalmente, sem combustível para funcionar?


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A Ciência por Trás do Mistério: Quando a Alimentação Sequestra a Atenção

Vamos colocar os óculos de cientista e investigar os mecanismos. O TDAH é um transtorno do neurodesenvolvimento com forte componente genético e neurobiológico. Mas seus sintomas — desatenção, impulsividade, agitação motora — podem ser perfeitamente imitados por um cérebro mal nutrido.

E o segredo está em dois micronutrientes específicos: ferro e zinco.

O Elo Perdido: Ferro e Dopamina

O ferro é um dos elementos mais importantes para o funcionamento cerebral. Ele atua como cofator na produção de dopamina, o neurotransmissor da atenção, motivação e prazer. Sem ferro suficiente, a fábrica de dopamina do cérebro produz menos, e com qualidade inferior.

Estudos mostram que crianças com deficiência de ferro, mesmo sem anemia declarada, apresentam:

  • Menor capacidade de atenção sustentada
  • Maior irritabilidade
  • Dificuldade de regulação emocional
  • Prejuízos na memória de trabalho

Exatamente os sintomas que levaram Pedro à minha sala.

Zinco: O Regulador Silencioso

O zinco, por sua vez, é fundamental para a modulação da resposta cerebral à dopamina. Ele atua como uma “chave” que regula a intensidade do sinal entre os neurônios. A deficiência de zinco está associada a:

  • Hiperatividade
  • Impulsividade
  • Dificuldade de concentração
  • Prejuízos na memória de curto prazo

Uma revisão sistemática publicada no Journal of Attention Disorders encontrou níveis significativamente mais baixos de zinco em crianças com diagnóstico de TDAH comparadas a crianças sem o transtorno.

Mas aqui está o pulo do gato: a maioria desses estudos é transversal, ou seja, encontra a associação, mas não determina a causa. Será que o TDAH causa deficiência de zinco (talvez por alterações no metabolismo ou na alimentação) ou a deficiência de zinco causa sintomas de TDAH?

A resposta, como toda boa investigação, é complexa, mas uma coisa é certa: a deficiência agrava o quadro e, em alguns casos, pode ser a causa primária dos sintomas.


O Cardápio do Crime: O Que a Dieta de Pedro Revelou

Ao analisar a alimentação de Pedro, o padrão criminoso se revelou:

AlimentoProblemaEfeito no Cérebro
Iogurte de caixinha + achocolatadoAçúcar refinado e aditivosPico de glicose seguido de queda brusca (hipoglicemia reativa), causando irritabilidade e dificuldade de concentração
Salgadinho e nuggetsGordura trans, sódio e pobres em nutrientesInflamação sistêmica de baixo grau, prejudicando a comunicação entre neurônios
Ausência de carnes, vegetais verdes-escuros e leguminosasDeficiência de ferro e zincoProdução insuficiente de dopamina, comprometendo atenção e motivação
RefrigeranteFósforo em excessoPrejudica a absorção de cálcio e magnésio, minerais importantes para a transmissão nervosa

O resultado? Um cérebro que tentava funcionar com matéria-prima de péssima qualidade, produzindo exatamente os sintomas que levaram Pedro a ser rotulado como “desatento”.


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A Reviravolta: Quando o Exame Revelou a Verdade

Sugeri à mãe de Pedro que, antes de qualquer diagnóstico definitivo, fizéssemos uma investigação mais aprofundada. Pedi exames de sangue com dosagem de ferritina (estoque de ferro) e zinco sérico.

O resultado chegou duas semanas depois:

  • Ferritina: 18 ng/mL (valores adequados para crianças: acima de 30 ng/mL)
  • Zinco sérico: 65 mcg/dL (referência: 70-120 mcg/dL)

Pedro não tinha TDAH. Pedro tinha deficiência de ferro e zinco. Seu cérebro gritava por socorro nutricional, e a escola interpretava esse grito como transtorno.

Encaminhei Pedro a uma nutricionista especializada. Três meses de intervenção nutricional focada em aumentar a ingestão desses nutrientes — com orientações práticas para a família e, em um primeiro momento, suplementação — mudaram completamente o quadro.

A mãe me enviou uma mensagem emocionada: “Ele terminou o semestre com notas boas. A professora disse que parece outra criança. E eu quase coloquei meu filho em tratamento para TDAH sem necessidade.”


O Guia do Detetive: Como Diferenciar TDAH Verdadeiro de TDAH Nutricional

Para você, profissional ou pai/mãe que desconfia que algo mais pode estar por trás dos sintomas de desatenção, elaborei um guia de investigação.

Sinais de Alarme para Investigação Nutricional

  1. História alimentar suspeita: Criança que consome muitos ultraprocessados, pouca carne, feijão, vegetais verde-escuros.
  2. Sinais físicos associados: Palidez, cansaço fácil, unhas fracas, quebradiças ou com manchas brancas (sinal clássico de deficiência de zinco), feridas na boca (queilite angular).
  3. Início dos sintomas relacionado a mudanças na alimentação: Muitas vezes os sintomas pioram ou começam após períodos de alimentação restritiva ou seletividade alimentar intensificada.
  4. Resposta parcial a medicamentos estimulantes: Crianças com deficiência nutricional podem não responder adequadamente ao tratamento para TDAH, pois a matéria-prima para a produção de dopamina continua insuficiente.

O Protocolo de Investigação

Antes de fechar um diagnóstico de TDAH, especialmente em crianças com perfil alimentar de risco, considere:

  1. Anamnese alimentar detalhada: O que a criança come em cada refeição? Em casa e na escola?
  2. Solicitação de exames: Hemograma completo, ferritina, zinco sérico, vitamina B12.
  3. Avaliação do padrão de crescimento: Ganho de peso e altura adequados? (desnutrição ou obesidade podem coexistir com deficiências específicas)
  4. Observação do comportamento alimentar: Existe seletividade alimentar extrema? A criança come frutas, verduras, proteínas de qualidade?

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A Conclusão do Caso

Pedro não precisava de um diagnóstico de TDAH. Precisava que alguém olhasse para sua alimentação com olhos de detetive. Precisava de ferro, zinco e uma dieta que nutrisse seu cérebro em desenvolvimento.

Isso não significa que TDAH não exista ou que toda desatenção seja nutricional. O transtorno é real e afeta milhões de crianças. Mas significa que antes de rotular, precisamos investigar todas as hipóteses.

A alimentação inadequada é uma das grandes imitadoras dos transtornos do neurodesenvolvimento. Ela se veste de TDAH, de dificuldade de aprendizagem, de transtorno desafiador, e engana até profissionais experientes.

Como psicopedagoga e cientista, meu papel é desmascarar esses impostores. Porque atrás de cada criança chamada de “desatenta” pode haver um cérebro faminto pelos nutrientes que precisa para florescer.


Para Saber Mais: Referências Científicas

  • Konofal, E., et al. (2008). “Iron deficiency in children with attention-deficit/hyperactivity disorder.” Archives of Pediatrics & Adolescent Medicine.
  • Arnold, L. E., & DiSilvestro, R. A. (2005). “Zinc in attention-deficit/hyperactivity disorder.” Journal of Child and Adolescent Psychopharmacology.
  • Granero, R., et al. (2021). “The Role of Iron and Zinc in the Treatment of Attention Deficit Hyperactivity Disorder: A Meta-Analysis.” Nutrients.

E você, já pensou quantos casos de “TDAH” podem ser, na verdade, gritos de um cérebro subnutrido? Compartilhe este post com outros detetives da aprendizagem e vamos espalhar essa investigação.

No próximo caso: “O Garoto que não Aprendia por Causa do Estômago: Como a Anemia e a Falta de Ferro Podem Simular um Transtorno de Aprendizagem”

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