Sessão Lúdica Centrada na Aprendizagem

É desejável que no trabalho com crianças haja um espaço e tempo para a criança brincar e assim melhor se comunicar.

A Sessão Lúdica Centrada na Aprendizagem desenvolvida pela autora Maria Lúcia Lemme Weiss é uma integração do EOCA e a Hora do Jogo.

Para essa atividade é preciso fazer um enquadramento especifico com a criança sobre o uso da sala, o uso do tempo, o uso do material disponível, limites para segurança, conservação do material e da sala, qual o papel do terapeuta.

O material a ser utilizado em atividades lúdicas dependerá do objetivo específico da sessão, do tempo disponível e da idade da criança. Sugestões:

  • Folhas de papel (pautadas, lisas, brancas e coloridas), lápis, apontador, régua, lápis de cor, canetinhas, cola, tesoura, revistinhas, livros;
  • Material para carpintaria e construções: madeiras, pregos, tachinhas, arames, ferramentas etc;
  • Material de sucata (embalagens vazias, caixinhas, carreteis, rolhas, retalhos, fios etc);
  • Blocos de madeira ou plástico, pinos de encaixe;
  • Tintas diversas, massa plástica, cola plástica colorida;
  • Fantoches, miniaturas, animais, flores, bonecos, pires,  xícaras;
  • Jogos.
A apresentação do material pode ser em uma caixa, fora da caixa ou misto.

A atividade lúdica necessita de uma explicação inicial, deixando a criança à vontade: “Você pode usar esse material para brincar como quiser. Um pouco antes de acabar o tempo eu aviso a você”, “Hoje você poderá brincar durante uma parte do nosso tempo, depois eu vou pedir a você para fazer algumas coisas…”

De acordo com Weiss (p. 79):

Por ser o jogo inerente ao homem, e por revelar sua personalidade integral de forma espontânea, é que se pode obter dados específicos e diferenciados em relação ao Modelo de Aprendizagem do paciente. Assim, aspectos do conhecimento que já possui, do funcionamento cognitivo e das relações vinculares e significações existentes no aprender, o caminho usado para aprender ou não-aprender, o que pode revelar, o que precisa esconder e como o faz podem ser claramente observados através do jogo.

Devemos observar alguns pontos:
  1. a)A escolha do material e da brincadeira/atividade: Atividade e material que repetem a situação escolar, sem criatividade; seleção de material figurativo; materiais que permitam criação (tintas, massa plástica, pinos e blocos); materiais que permitam transformar e imaginar novas coisas (sucata).
  2. b)O modo de brincar: se usa apenas o material mais próximo ou se explora todo o material e depois se fixa em alguma coisa; se escolhe materiais planejando uma brincadeira; se faz estimativas, medidas e cálculos; se estrutura uma brincadeira com coerência, começo, meio e fim ou se coloca aleatoriamente os objetos sem uma antecipação e posteriormente atribui ou não um significado; se tem flexibilidade no uso dos objetos modificando-o conforme a necessidade; se classifica os objetos; se mantém uma brincadeira estereotipada e perseverante; se faz brincadeiras criativas; se começa uma atividade e não conclui; se permanece concentrada durante a brincadeira; se mantém continuidade na brincadeira de uma sessão para a outra; se faz na brincadeira mais ações de desmanchar, separar, dividir e cortar ou de reunir, construir, colar e juntar; o modo como usa o corpo e etc.
  3. c)A relação com o terapeuta: se brinca sozinha, concentrado e ignorando o terapeuta; se brinca sozinha, mas olhando constantemente para o terapeuta; se depende do terapeuta para brincar, pedindo sempre sua ajuda; se pede eventualmente a ajuda do terapeuta, quando esta parece necessária; se só escolhe brincadeiras que necessitam da participação do terapeuta como parceiro.
  1. Provas e testes

A investigação do nível pedagógico pode ser feita de diferentes maneiras. Podemos usar provas pedagógicas clássicas que consistem no uso de textos de leitura, série de problemas, etc. com dificuldade crescente, que posicionará o sujeito dentro de diferentes níveis de uma escala. Por ser uma repetição de provas de sala de aula, a autora evita esse método porque ele levaria a repetição da queixa. Para ela, esses dados podem ser obtidos na análise do material da sala de aula, das provas e em entrevistas com a equipe escolar, funcionando como complemento da avaliação pedagógica do diagnóstico. A análise do material escolar implica verificar a metodologia utilizada em sala de aula, ou seja, a qualidade didática.

Testes formais de leitura e escrita devem ser feitos quando o terapeuta levantar a hipótese de uma dislexia grave ou outras questões que exijam aprofundamento maior.

            Os itens importantes de verificação na avaliação pedagógica são a alfabetização, leitura, escrita e matemática.

De acordo com a Weiss (p. 103)

Os testes e provas são selecionados de acordo com a necessidade surgida em função de hipóteses levantadas nas sessões familiares (na EFES), nas atividades lúdicas etc, quando alguns aspectos não ficam claros e exigem um aprofundamento por outros caminhos, em pouco tempo.

4.1. Diagnóstico operatório

As provas operatórias têm por objetivo determinar o grau de aquisição de algumas noções-chave do desenvolvimento cognitivo, detectando o nível de pensamento alcançado pela criança, ou seja, o nível de estrutura cognoscitiva com que opera.

Material

Para crianças menores de 6 anos, uma caixa contendo objetos que a leve a classificar e a seriar:

  • panelinhas, pratos, copos, xícaras, talheres;
  • mobiliário de casa de boneca;
  • frutas e legumes; flores;
  • animais de diferentes espécies;
  • bonequinhos de diferentes tipos;
  • carrinhos;
  • ferramentas e outros instrumentos em miniatura;
  • bloquinhos de madeira ou plástico polivalentes;
  • pedaços de tecido de diferentes tessituras e estampagens;
  • canudinhos de refresco de diferentes tamanhos e cores;
  • outros.

Deverá propor uma arrumação dos objetos. Registrará, quais os objetos escolhidos, qual o critério utilizado (mais objetivo, de uso social comum, ou mais subjetivo), o que percebeu no objeto para estabelecer o critério (cor, utilidade, tamanho etc), quantos objetos é capaz de grupar em cada critério, quais abandona, mas que seriam grupáveis no critério estabelecido. Em seguida, poderá, então, propor novas arrumações que lhe permitam observar aspectos espaciais, lógico-matemáticos e conservações.

Outra caixa poderia ser organizada visando a exame do escolar, contendo material selecionado para as clássicas provas piagetianas: fichas de diferentes formas, cores e tamanhos; bastonetes ou palitos; duas  espécies de flores e frutas; copinhos plásticos transparentes de diferentes alturas e diâmetros; massa plástica de duas cores diferentes; fios de lã ou correntinhas; balança, casinhas de madeira, régua, lápis, tabuleiro de papelão.

Faz-se um interrogatório para saber o que o paciente pensa em relação às próprias manipulações ou observa na execução do terapeuta. É importante que se faça o registro de todo procedimento.

A ordem apresentada na maioria dos trabalhos sobre o assunto é a seguinte:
  • Conservação:  pequenos conjuntos discretos (6/7 anos); quantidade de líquido e matéria (6/7 anos); comprimento (8/9 anos); superfície (8/9 anos); peso (8/9 anos); volume (10/12 anos).
  • Classificação: dicotomia ou mudança de critério (6/7 anos); inclusão (6/7 anos);
  • intersecção (6/7 anos).
  • Seriação: 6/7 anos.
  • Provas do pensamento formal: duplas e seqüências (a partir dos 12 anos)
  • Provas espaciais: construção horizontal, vertical e coordenação do espaço bidimensional (8/9 anos)

Não se deve aplicar várias provas de conservação em uma mesma sessão, a fim de evitar a contaminação da forma de resposta.

Considerando-se que o objetivo básico das provas é avaliar o grau de construção operatória, podemos dividir as respostas em três níveis:
  • Nível 1: Ausência total da noção, isto é, não atingiu o nível operatório nesse domínio.
  • Nível 2 ou Intermediário: As respostas ou condutas expressam vacilação e instabilidade ou são incompletas. Por exemplo: dão uma primeira resposta conservante e no momento seguinte outra não conservante, ou com o argumento oposto ao que falou em primeiro lugar.
  • Nível 3: As respostas demonstram a aquisição da noção, sem vacilação.
4.2. Teste psicométricos
  • Inteligência (CIA, WISC, Raven): facilidade de aplicação e avaliação, possibilidade de análise operatória, análise qualitativa, uso parcial de provas ou subtestes, realização de inquérito após as respostas e possibilidade de boa observação do processo de realização.

Os testes de inteligência, isoladamente, não fazem a distinção entre oligofrênicos e oligotímicos.

Para Weiss o uso de testes não tem por objetivo definir QI, mas verificar se o paciente está usando a inteligência a seu favor ou não.

  • Bender: usado sempre que surgem dúvidas sobre questões psicomotoras e espaciais não elucidadas pelos demais instrumentos.
4.3. Técnicas projetivas

São técnicas que trabalham com situações relativamente pouco estruturadas, e utiliza-se estímulos com grande amplitude e até mesmo ambíguos. Elas se baseiam no princípio que a maneira em que sujeito percebe, interpreta e estrutura o material ou situação, reflete os aspectos fundamentais do seu psiquismo.

  • Técnica de relatos: Testes CAT e TAT.
  • Grafismo: desenho livre, desenho dirigido, desenho seguido de história sobre o desenho, Teste HTP.

A boa análise do grafismo fornece dados da área cognitiva do sujeito, assim como do processo simbólico normal ou com desvios patológicos, dando a compreensão global do paciente. Podemos analisar se que a criança já possui noções de dentro e do fora, parte e todo, horizontal e vertical, simetria, profundidade, perspectiva etc.

4.3.1. Provas projetivas psicopedagógicas

São provas relacionadas situações escolares, à família, à vida em geral, mas sempre buscando o viés da aprendizagem. O que diferencia das demais propostas é o “olhar psicopedagógico” do terapeuta.

Alguns pontos devem ser observados:
  • No desenho: localização do paciente, outros personagens, objetos; características lógicas e temporais da sequencia de cenas; idade, sexo, nomes, características de personagens, se possível comparar com o próprio, colegas de escola, amigos, familiares; adequação ao pedido feito pelo terapeuta.
  • No relato oral: observar a sequencia têmporo-espacial, contexto espacial em que ocorrem as cenas; temas escolhidos; coerência entre as cenas e os relatos orais e os títulos escolhidos.
  • Durante a execução: indecisões para começar, continuar; troca de tema; apagar, desmanchar, refazer; posturas e movimentos corporais, motricidade, posição e domínio do lápis.
Propostas mais usadas:
  • Dupla educativa: entregar uma folha de papel branca tamanho ofício e um lápis, pedir para desenhar uma pessoa que ensina e uma que aprende, indicar quem são as pessoas, as idades, relatar o que aconteceu ou organizar uma história (oral ou por escrito), dar um título. Pode ampliar os comentários.
  • Eu e meus companheiros: desenhar você e seus colegas de turma; depois de feito, pedir para indicar os nomes e as idades, pedir comentários sobre a situação apresentada, sobre o que ocorre na sala de aula  ou o que gostaria que ocorresse.
  • Planta da sala de aula ou escola: indicando os lugares em que sentam você e seus colegas, lugares que gosta de ficar.
  • Desenho em episódios: desenhar quatro momentos diferentes do seu dia desde o momento em que acorda até a hora de dormir. Deve ser um dia sem aula, domingo, feriado ou dia de férias. Dobrar uma folha, tamanho ofício, em quatro partes, ou trabalhar com quatro meias folhas. Depois do desenho, pedir que fale sobre o que está acontecendo em cada quadro.
  • Família educativa: pedir que o paciente desenhe a sua família fazendo o que cada um sabe fazer. Sugerir que dê a idade das pessoas, os nomes, o que cada um está fazendo, se costuma ensinar ou não, como o faz. O que aprendeu ou gostaria de aprender com essa pessoa. Pode contar uma história, dar um título.
  1. Síntese diagnostica e Prognóstico

Realizado todas as etapas do diagnóstico psicopedagógico, o terapeuta já deve ter formado uma visão global do paciente e sua contextualização na família, na escola e no meio social em que vive.

O laudo ou informe tem como finalidade resumir as conclusões a que se chegou na busca de respostas às perguntas iniciais que motivaram o diagnóstico.

Roteiro proposto por Weiss (p. 146):
  1.             Dados pessoais
  2.             Motivo da avaliação – encaminhamento

 III.            Período da avaliação e número de sessões

  1.  Instrumentos usados
  2.             Análise dos resultados nas diferentes áreas ou domínios (pedagógica, cognitiva, afetivo-social, corporal)
  3.  Síntese dos resultados – hipótese diagnostica

VII.            Prognóstico

VIII.            Recomendações e indicações.

Observações: acréscimo de dados conforme casos específicos.

 

  1. Devolução e encaminhamento

A devolução consiste na comunicação verbal feita ao final de toda a avaliação, em que o terapeuta relata aos pais e ao paciente os resultados obtidos ao longo do diagnóstico. É uma análise da problemática, seguida de sínteses integradoras. O terapeuta não deve apenas apresentar conclusões, mas proporcionar um momento para que os pais assumam o problema em todas as suas dimensões, o que significa compreender os aspectos inconscientes ou latentes da questão.

Para crianças pequenas é importante fazer uma devolução que esteja a seu nível de compreensão. “A dificuldade da devolução não está apenas num relato organizado resultante do processo diagnóstico, mas principalmente na grande mobilização emocional que deflagra nos pais, o que já vem acontecendo desde a anamnese.” (p. 141).

            Diferentes formas de fazer a devolução:
  • No consultório: Inicialmente só o paciente e depois os pais, inicialmente só o paciente e depois o paciente e os pais; desde o início com o paciente e seus pais.
  • Na escola: com alguém da equipe escolar, paciente e alguém da equipe escolar, paciente, pais e alguém da equipe escolar, pais e alguém da equipe escolar.

A escolha é feita a partir das relações que a autora percebe de aceitação ou negação, por parte dos pais, e das formulações feitas pela escola.

A autora prefere fazer a devolução para os pais juntos, evitando a ideia de que problemas escolares são com mãe e o pagamento das sessões com o pai, ficando este sem engajamento afetivo com a situação. No caso de pais separados, quando não aceitam a hipótese de sessão conjunta, ela faz duas sessões e deixa a critério do paciente comparecer a ambas ou a apenas a uma, junto com quem preferir.

“Finalmente, é preciso que a devolução se encerre clarificando o Modelo de Aprendizagem do paciente e de sua família, suas facetas saudáveis e suas dificuldades, bem como as possibilidades de mudança na busca do prazer e eficiência no aprender.” (p. 142).

No final da devolução, quando surge a necessidade de um atendimento, faz se os encaminhamentos.

FONTE: http://dialogizar.blogspot.com.br/2016/11/resumo-do-livro-psicopedagogia-clinica.html

 

PsiquEasy

Leia também: Diagnóstico Psicopedagógico

Veja ainda: Como organizar o Controle Financeiro do meu Espaço Psicopedagógico

2 comentários em “Sessão Lúdica Centrada na Aprendizagem

  • 9 de outubro de 2018 em 08:16
    Permalink

    Muito obrigada!!! amei seu blog, me ajudou muito…

    Resposta
    • 9 de outubro de 2018 em 10:20
      Permalink

      Olá Gilda, agradecemos o carinho e a atenção a nós dedicada. Tudo é feito com muito carinho para nossos leitores e clientes. Abraços.

      Resposta

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

WhatsApp Chamar no WhatsApp