Avaliação Cognitiva e Problemas de Aprendizagem

Cognição relaciona-se ao processo de conhecer.

Trata-se de um conjunto de atividades e processos pelos quais um organismo adquire informações e desenvolve conhecimentos. Os processos cognitivos envolvem memória, categorização, atenção, resolução de problemas, tomada de decisões, tipos de raciocínio e linguagem.

Assim, a cognição refere-se aos mecanismos mentais que organizam a informação sensorial, interpretando, classificando e organizando estas. É preciso relacionar cognição e aprendizado.

A aprendizagem é um processo contínuo de desenvolvimento englobando aquisições das mais simples, às mais complexas, que instrumentalizam o indivíduo para a vida. Para que a aprendizagem ocorra, é necessário um conjunto de sistemas funcionais neuropsicológicos.

Dentre estes, destaca-se de forma especial, as funções executivas, como determinantes da capacidade de aprender. Problemas com as funções executivas, tendem a gerar baixo rendimento escolar e dificuldades no dia a dia.

Identificar e atuar sobre tais questões é de grande importância para o bom desempenho escolar e para o cotidiano. As funções executivas, são um conjunto de habilidades, afetivas e cognitivas, para iniciar e desenvolver atividades para um fim determinado. Ela tem 4 componentes:

  • 1) VOLIÇÃO
  • 2) PLANEJAMENTO
  • 3) AÇÃO PROPOSITIVA/ REALIZAÇÃO
  • 4) VERIFICAÇÃO/AUTO AVALIAÇÃO/MONITORAMENTO

 

O desenvolvimento das Funções Cognitivas envolvem a Genética, a Interação como meio e a Rede Neurobiológica.

 

Elas começam com esquemas simples e atingem os mais complexos.

A aprendizagem envolve a aquisição de novas informações que são adquiridas da seguinte forma: Ocorre a recepção cognitiva, na sequencia o processamento Integrador e finalmente a consolidação para a aplicabilidade.

Nesta aquisição interferem o afeto (maturidade, família, professor, amigos…), cognição (genética atrelada ao desenvolvimento) e ambiente (social, cultural, familiar).

As funções executivas são determinantes para a capacidade de aprendizagem. Qualquer problema em 1,2, 3 ou 4, alterará a capacidade de aprender.

As funções executivas, localizam-se no lobo frontal. Elas são como um “maestro”, pois regem tudo o que é necessário à aprendizagem.

Há transtornos específicos da aprendizagem, como Dislexia e Discalculia, que implicam prejuízo nas funções executivas.

Contudo, há outros problemas não necessariamente de aprendizagem que podem também ocasionar prejuízos na aquisição de conhecimento.

Exemplos: Depressão, epilepsias, TDA/H, etc.

Quando a criança não consegue postergar o prazer e lidar com a frustração, isso pode interferir também nas funções executivas. Logo, ensinar a criança o quanto antes a lidar com isso, é essencial ao seu desenvolvimento cognitivo.

As funções executivas se desenvolvem intensamente entre os 6 e 8 anos.

No sexto ano, é esperando que estas funções já estejam bem desenvolvidas. O professor das séries iniciais, pode ajudar da seguinte forma:

  • Realizando planejamento com apelo visual;
  • Informando o cronograma de trabalho (do dia, do mês);
  • Ensinando a estudar (em que horário, que conteúdo, como extrair idéias centrais, etc);
  • Através de jogos e brincadeiras com objetivos pedagógicos;
  • Organizando trabalhos em grupos (para que as crianças organizem prazos e funções de cada envolvido);
  • Encaminhando ao SOE/Coordenação para avaliação e/ou tratamento especializado se for o caso. Em algumas situações, o uso da medicação pode facilitar funções executivas, ao lado de outras medidas, como uso do óculos, checagem auditiva, etc.

No caso de ser necessária uma avaliação especializada com um Psicólogo, Psicopedagogo ou neuropsicólogo, os recursos utilizados na avaliação cognitiva são: anamnese, sessão livre, testes e relatório escolar.

Uma boa avaliação deve conjugar aspectos quantitativos e qualitativos, indo para além do que for indicado nos testes. Também pode ser necessário avaliar o material pedagógico da criança: cadernos, livros, bem como ter acesso à metodologia aplicada no colégio:

“A análise do material escolar implica verificar a metodologia utilizada em sala de aula, ou seja a qualidade didática. Por exemplo, no que se refere ao erro, observa-se o tipo de erro ou acerto de um paciente, o modo como este é encarado pelo professor, se é assinalado, revisto e trabalhado na construção do conhecimento. Observa-se também como anda a organização em nível de antecipação e estruturação de atividades, o cuidado ou não com seus diferentes materiais” . (WEISS, M. Lucia, 1999, p. 94)

Muitos fatores devem ser observados conjugadamente na avaliação: idade, nível de escolaridade, motivação, expectativas familiares, estrutura familiar, aspectos emocionais, checagem de audição, visão, etc. Muitas vezes pode ser preciso uma avaliação em parceria com um profissional da área de neuropediatria, para auxiliar no diagnóstico.

É fundamental que o profissional faça um retorno por escrito para a família, além da devolução presencial ao final da avaliação. Também é interessante uma visita ao colégio para orientações que facilitem o aprendizado da criança.

Fonte:LucianaCampos/Avaliação Cognitiva e Problemas de Aprendizagem: Como a avaliação psicológica pode ajudar

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