Exame da Disgrafia

O QUE É A DISGRAFIA?

A escrita é uma manifestação linguística, especificamente humana que supõe a comunicação simbólica por meio de um código diferenciado de cultura para cultura. É a forma de linguagem que leva mais tempo a ser adquirida pelo Homem (Ajuriaguerra, 1974; Pérez, 2001; Fonseca, 1999).

Citoler (1996) refere que os processos léxicos e motores são somente uma parte da explicação da habilidade de produção da linguagem escrita e das suas dificuldades, uma vez que aprender a escrever não é unicamente ser capaz de escrever palavras, mas é fundamentalmente conseguir comunicar através da produção de uma mensagem escrita (Cruz, 1999).

A disgrafia, perturbação da linguagem escrita que abrange as competências mecânicas da escrita manifesta-se por uma fraca prestação na escrita em crianças com inteligência pelo menos na média, que não têm uma desordem neurológica distinta e/ou uma deficiência sensório-motora” (Hamstra-Bletz & Blöte, 1993).


Exame da Disgrafia (Autora: Jacqueline Lanza Lofiego)

Nome:

Idade:

Data de Nascimento:

Encaminhamento:

Escolaridade:


1.Considerações gerais:

a) Postura (   ) Prejudicada (   ) Normal
b) Equilíbrio (   ) Prejudicado (   ) Normal
c) Posição da folha (   ) Normal (   ) Deitada
d) Independência (   ) Ombro (   ) Cotovelo (   ) Punho
e) Preensão do Instrumento (   ) Pinça (   ) Atípico (   ) Normal
f) Coordenação viso-motora (   ) Normal (   ) Prejudicada
g) Atenção (   ) Normal (   ) Prejudicada
h) Concentração (   ) Normal (   ) Prejudicada
Outras observações:

  1. Colorido:
  2. Tônus:           (   ) Normal       (   ) Fraco             (   ) Forte
  3. Limite:          (   ) Normal       (   ) ultrapassa     (   ) incompleta
  4. Direção do traçado: (   ) Esquerda-Direita       (   ) Direita-Esquerda        (   ) Cima-baixo     (   ) Baixo-Cima
  5. Tamanho do traçado :    (   ) Grosso       (  ) Fino      (   ) Pequeno               (   ) Grande             (   ) Misto
  6. Duração:                            (   ) Normal                          (   ) Curta                    (   ) Longa
3. Outras observações:

III. Desenho Livre:

  1. Orientação dentro do espaço:          (   ) Sim          (   ) Não
  2. Tônus:                       (   ) Normal                               (   ) Fraco                    (   ) Forte
  3. Tamanho:                 (   ) Em relação à folha           (   ) dos elementos entre si
  4. Proporção:                (   ) Proporcional                     (   ) Desproporcional
  5. Direção                      (   )Esquerda-direita  (   ) Direita-esquerda  (   ) Cima-baixo  (   ) Baixo-cima    (   ) em todas

Detalhes                (   ) Completo             (   ) Incompleto

Outras observações:


  1. Escrita:
  2. Orientação dentro do espaço:  (   ) Normal                  (   ) Sobe           (   ) Desce        (  ) Respeita margem
  3. Tônus:             (   ) Normal        (   ) Fraco              (   ) Forte
  4. Movimentos:  (   ) Corretos       (   ) Invertidos     (   ) Repassados   (   ) Completos    (   ) Incompletos    (   ) Outros
  5. Tamanho das letras:            (   ) Normal     (   ) Grande     (   ) Pequena  (   ) Mista
  6. Proporção entre:      (   ) Letras       (   ) Palavras  (   ) Linhas
  7. Ritmo:                     (   ) Normal       (   ) Lento       (   ) Rápido
  8. Largura do traçado: (   ) Grosso       (   ) Fino    (   ) Pequeno         (   ) Grande      (   ) Misto
  9. Rasuras:                     (   ) Muitas       (   ) Poucas            (   ) Nenhuma
  10. Repassamentos:       (   ) Sim            (   ) Não

Outras observações:


Exames Complementares:

Psicomotor:

Lateralidade:

Percepção visual:

Outros:

Observações gerais:


  • Redigir a Conclusão:
  • Redigir Encaminhamento:

 

Data: ____/_____/_____

 

Responsável:


PROTOCOLO DE APLICAÇÃO DO EXAME DA DISGRAFIA
Considerações gerais:
  1. A postura será normal quando, independentemente da idade, o paciente conseguir manterse na postura mais ereta possível (em um ângulo de 90º entre a articulação do quadril-tronco, coxas e pernas-coxas), encostado na cadeira que também deverá estar de acordo com a estatura para que se possa propiciar esta posição. Então, será normal aquele paciente que assim se portar e prejudicada a postura daquele que não conseguir.
A postura também pode ser observada durante a locomoção, pedindo-se ao paciente que ande de um extremo ao outro da sala de terapia, por exemplo, ou quando da sua entrada no consultório.
  1. O equilíbrio pode ser avaliado estaticamente com o paciente parado e de pá e depois parado e sentado, por exemplo, e dinamicamente com o paciente locomovendo-se como se sugeriu no item anterior. Será normal se o paciente conseguir manter-se em “ondulações” e prejudicado quando não ou quando necessitar de um apoio, por exemplo.
  2. A folha deve ser posicionada à frente do paciente e por ele próprio; sendo considerada normal uma inclinação de + ou – 15º para a direita no caso de pacientes destros ou para a esquerda no caso de pacientes canhotos; ultrapassando esta angulação considerar-se-á deitada.
  3. Para averiguar a independência o avaliador deverá, durante a avaliação, perceber se o paciente consegue grafar (escrever) satisfatoriamente, sem que o faça em “bloco”, ou seja, com livre movimentação e domínio de ombro, cotovelo e punho do braço que executa a escrita.
  4. Para que se observe a preensão do instrumento fornece-se, por exemplo, um lápis ao paciente para que ele desenhe. Observa-se se o seu movimento de preensão do lápis se dá em forma de pinça ou outra forma diferente (atípico).
  5. Esta coordenação viso-motora pode ser notada, por exemplo, quando o paciente pinta uma figura ou quando se lhe pede que passe uma linha sinuosa entre duas outras.
  6. A atenção é avaliada quando o avaliador, por exemplo, pergunta ao paciente se ele entendeu as instruções e pede ao mesmo para explicar-lhe o que foi requerido.
  7. A concentração é avaliada no decorrer da testagem, observando-se se o paciente é capaz de concentrar-se na tarefa que lhe foi pedida ou se distrai-se com facilidade.
  8. Aqui o avaliador pode acrescentar outros itens ou observações que julgar importantes para a correta avaliação e postura terapêuticas, levando a uma correta avaliação e terapia.
Colorido:
  1. O tônus será normal quando o paciente apresentar uma eutonia, fraco se o colorido for débil, tênue – hipotonia e forte quando este apresentar-se forçado, por exemplo – hipertonia.
  2. Podemos perceber o limite, quando pedimos ao paciente que efetue o colorido das quatros figuras geométricas. Se o limite é adequado, diz-se que ele é normal, se não, ele pode ultrapassar os contornos ou não chegar até eles – incompleto. Deve-se levar em conta a idade do paciente, seguindo uma escala de evolução grafomotora.
  3. Como sabemos, a escrita tem um direcionamento e de acordo com a cultura ocidental esta direcionalidade se dá da esquerda para a direita e de cima para baixo, logo, tanto o desenho quanto a escrita devem seguir este “esquema”.
  4. Uma indefinição no tamanho do traçado demonstra uma instabilidade, por exemplo, emocional, tônica do paciente. Este item normalmente encontra-se associado ao tônus.
  5. A duração encontra-se relacionada ao tempo de execução desta tarefa, a qual varia de pessoa para pessoa e de acordo com a idade.
  6. O mesmo que o item “i”.
Desenho Livre:
  1. A orientação dentro do espaço nos mostra se o desenho encontra-se bem posicionado, centralizado dentro da folha A4.
  2. O mesmo que o averiguado nos itens anteriores.
  3. Este é auto-explicável e relaciona-se ao item “a”.
  4. O mesmo que o item “c” (desenho).
  5. Se, por exemplo, o paciente desenhar a figura humana o avaliador deverá observar a

“perfeição”, ou seja, a riqueza de detalhes como cílios, olhos, sobrancelhas, dedos, unhas, orelhas, nariz, etc.

  1. O mesmo que os itens “i” e “f”.
Escrita
  1. Para avaliar a orientação dentro do espaço o paciente, ao executar a escrita livre em folha A4, deve conseguir centralizá-la, respeitar as linhas imaginárias, margens, parágrafos, etc.
  2. O mesmo que se deve observar nos itens anteriores.
  3. O avaliador deve perceber quando o paciente “desenhar” as letras, se estas são executadas com os movimentos corretos, se há repasses, movimentos incompletos, etc.
  4. Se as letras têm um tamanho adequado ao espaço físico, proporcionais ou mistas (letras grandes intercaladas com pequenas, por exemplo).
  5. Perceber se há proporção entre os elementos grafados (letras, palavras, frases, linhas).
  6. Às vezes, quando o paciente executa o movimento da escrita este se faz muito lentamente, rapidamente ou normalmente.
  7. O mesmo que se observou no colorido, o paciente, portanto, deverá seguir o mesmo padrão, caso contrário deverá o avaliador anotar como uma observação importante.
  8. Se o paciente apaga muito, borra, rabisca, até rasga a folha, ou se não as faz.
  9. Quando ocorre o que nos referimos no item “c” deste.
  10. O mesmo que os itens “i”, “j” e “g”.

Obs.: Deve-se também observar se o paciente, ao efetuar o ato motor da escrita, segue uma linha reta, ascendente ou descendente.

Exames Complementares:

De acordo com os resultados desta avaliação e relacionando-a com a anamnese o avaliador a complementará com estes exames.

Conclusão:

O que se concluiu após levantar os dados da avaliação e também de acordo com a anamnese e na dependência de outros exames.

Encaminhamento:

Encaminhamento neurológico, por exemplo, em casos de lesões motoras, descartando, então, a possibilidade do paciente apresentar uma disgrafia.

Fonte: Lofiego, J. L. Disgrafia: Avaliação Fonoaudiológica. Rio de Janeiro: Revinter Livraria e Editora, 1995.


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