Pais precisam criar Intimidade com Filhos sem perder o Respeito

A falta de limites na educação dos filhos na atualidade tem gerado muitos problemas, principalmente emocionais e dificuldades de aprendizagem.

As pesquisas mostram que o maior erro dos pais é querer agradar sempre, nunca dizendo NÃO, as vontades dos mesmos. Mas não é apenas em casa que faltam limites, por vezes, os professores não conseguem agir com autoridade e impor limites na sala de aula também.

Quando os pais não colocam limites para os filhos desde sua infância, estão contribuindo para formar cidadãos que não compreendem suas responsabilidades e que não respeitam normas e o outro, acabam colhendo aquilo que semearam com sua educação (WHITE, 1976, p. 11).

Pais que não compreendem sua responsabilidade em mostrar para o filho seus erros e ainda defendem suas atitudes erradas estão contribuindo com um mal sem medidas na vida dos filhos. Outro problema é cair no extremo oposto e ser extremamente repressivo.

Pais inseguros reagem demonstrando poder. Enrijecem em suas decisões, refletindo falta de confiança em si mesmos e, consequentemente, em seus filhos.

Segundo White (1937, p. 290), os professores devem levar “os jovens a sentir que eles merecem confiança, e poucos haverá que não procurarão mostrar-se dignos dessa confiança.”

Impor limites será mesmo uma ferramenta para a formação equilibrada do jovem, contribuindo de forma fundamental para seu futuro? Segundo White, “poucos pais, (…) compreendem que seus filhos são o que seu exemplo e disciplina os fizeram, e que são responsáveis pelo caráter que eles adquirem” (1976, p. 14).

Os exemplos cotidianos mostram indisciplina em sala de aula, agressão física, tráfico de drogas, entre outras condutas. Os filhos estão cada vez mais “egoístas, exigentes, desobedientes, ingratos e profanos” (WHITE, 1976, p. 11). Sendo assim os pais não devem negligenciar seu papel, elencando para escola ou para empregada ou babá da casa suas responsabilidades, reconhecendo que são os primeiros responsáveis pela formação moral e pelo futuro dos filhos.

Para Paggi & Guareschi (2004, apud ARAÚJO & SPERB, 2009, p. 186), “é na relação parental que primeiramente se estabelece a noção de limite, o respeito à autoridade e a capacidade de se colocar no lugar do outro”. A criança cresce sendo influenciadas por aqueles que a rodeiam, cabe aos pais refletirem sobre tal influência e trabalharem desde cedo em favor da educação de seus filhos.

De acordo com White:

A educação começa com o bebê, nos braços da mãe. Enquanto a mãe está moldando e formando o caráter dos filhos, ela os está educando. Os pais mandam os filhos à escola; e ao fazê-lo pensam que os têm educado.

Mas a educação é uma questão de maior amplitude do que muitos pensam: compreende todo o processo pelo qual a criança é instruída, desde o berço à infância, da infância à juventude, e da juventude à maturidade. Logo que uma criança é capaz de formar uma ideia, deve começar sua educação (1954, p. 12).

A mãe saudável desenvolve uma capacidade de colocar-se no lugar do bebê, identificando-se com ele, o que lhe possibilita satisfazer suas necessidades e dar uma base sólida para que o mesmo se desenvolva (CHAMAT, 1997, p.68).

A importância de dizer NÃO

Segundo Araújo & Sperb (2009, p. 186), a construção de limites está relacionada com a capacidade da criança de obter uma socialização bem-sucedida, de forma que ela possa reconhecer e considerar os próprios limites e os dos demais. Assim, as consequências devido à falta de limite recaem não apenas sobre as crianças, mas há um aspecto social também envolvido.

A omissão, que permite à criança tudo o que tem vontade, ou explosão diante de qualquer deslize do filho, além de não educar, distorce a personalidade infantil, tornando a criança folgada (sem limites) ou sufocada (entupida, reprimida, tímida) (TIBA, 2002, p. 30).

Desde muito cedo as crianças são expostas a influências que podem ser positivas ou negativas para seu desenvolvimento. Ainda novinhas já aprendem a ligarem sozinhas a televisão, sendo atraídas pelo som, imagem e movimentos. Entretanto, as mensagens transmitidas pela tela nem sempre são apropriadas a crianças, sendo necessária a supervisão e intervenção de um adulto (TIBA, 2002, p. 109).

    Alguns pais, porém, dizem “não” a certas ações das crianças e não conseguem sustentar seu posicionamento. Tiba afirma que:

    a mãe não deveria permitir desobediência. Para isso, o maior segredo é a mãe obedecer seus próprios “não”. Significa que só deve proibir algo que ela realmente possa sustentar, sem logo transformá-lo em “sim” ao menor motivo. A obediência fica garantida pelo respeito que a mãe exige do filho (2002, p. 40).

Ainda segundo o autor, a opinião da criança não deve ser ignorada. É um dizer “NÃO” de forma a educar de fato a criança, a cercando de cuidado, não apenas de repressão. Entretanto, esse educar “democrático” não deve ser confundido como “permissividade”, pois a criança ainda não está pronta para saber escolher o que é melhor pra ela.

Araújo & Sperb (2009) completam dizendo que a prevalência de relações mais permissivas entre adultos e crianças, a queda da autoridade parental, marca o cenário da problemática da falta de limites, recorrente nas práticas educativas (TIBA, 2009, p. 186).

Para White (2008, p. 173), “as crianças são às vezes tentadas a zangar-se quando lhe são feitas restrições; mas, mais tarde na vida, elas bendirão os pais pelo fiel cuidado e estrita vigilância que as guardou e guiou na idade da inexperiência.” Os benefícios de pôr limites nos filhos serão vistos em longo prazo e têm influência na vida da criança ao longo de toda sua vida.

“Agradar os filhos não é o caminho para se obter LIMITES, o RESPEITO e AUTORIDADE sim”. (Daliane Oliveira, 2019)

Fonte da Pesquisa: http://www.efdeportes.com/efd189/a-falta-de-limites-na-educacao-dos-filhos.htm

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