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Investigação Neuropsicopedagógica da Vida Intrauterina

 Os sonhos que acontecem dentro da barriga são alguns dos primeiros movimentos cognitivos do bebê, uma vez que são pensamentos acompanhados de emoções. Os primeiros sorrisos acontecem quando eles sonham. Alguns chegam a dar risada!

Por muito tempo acreditou-se que a vida intrauterina era uma etapa responsável apenas pelo desenvolvimento físico da criança. O útero materno representava um lugar isolado, no qual o bebê parecia estar inacessível aos estímulos externos, protegido pelas camadas abdominais.

Pensava-se que a criança, neste lugar, permanecia em estado de plena satisfação e felicidade, desconectada dos pensamentos e sentimentos da mãe. Contudo, a sensação vivenciada pela gestante de que existe uma reciprocidade de sentimentos entre ela e o bebê, deixa de ser apenas uma impressão e passa a ser um fato comprovado.

A mulher grávida exerce sobre seu filho um papel fundamental na constituição de sua personalidade antes do nascimento, influenciando-o com seus pensamentos e sensações e, assim, tem a possibilidade de contribuir para o desenvolvimento de um ser humano menos desprotegido e psiquicamente mais saudável.

Hoje sabemos que “o feto pode ver, entender, tocar, degustar e mesmo, a um nível muito primitivo, aprender no útero (quer dizer, dentro do útero, antes do nascimento).

Mais importante, ele é capaz de sentimentos menos elaborados que os adultos, é lógico, mas bem reais” (VERNY, 1989, p. 3).

O modo pelo qual o indivíduo se relacionará com a vida depende, em grande parte, das sensações recebidas no útero. A mãe é a principal responsável pela transmissão dessas sensações, a partir das quais se forma sua personalidade. Dessa forma se faz necessário que o Neuropsicopedagogo já em suas primeiras sessões realize uma investigação acerca dessas questões.

 

O Neuropsicopedagogo precisa refletir sobre a importância da relação mãe-bebê durante o período gestacional, a fim de compreender a partir de quando alguns problemas de aprendizagem começaram a se desenvolver assim como diversos problemas emocionais.

A vida da criança no útero é dotada de lembranças, sentimentos e consciência, por isso, tudo o que lhe acontece nessa fase é vital para a estruturação de sua personalidade.

Durante o período fetal o desenvolvimento da psique pode ser alterado pelo estresse intra-uterino, causando o sentimento de “desestruturar-se”, originado pela baixa quantidade de energia e sua má distribuição.

É neste período que ocorre a formação do cérebro e do sistema neurovegetativo. Por meio do desenvolvimento deste sistema notamos que, no período fetal, o mecanismo de defesa contra o estresse (medo) é mais complexo e mais específico, no qual o feto protege-se ativando o sistema neurovegetativo.

Ao ser ativado, este sistema lança uma hipersecreção de adrenalina e faz com que todo o organismo se contraia fechando-se para o meio exterior; não existindo mobilidade ocorre uma pseudo-paralisia do movimento. Essa contração do organismo dificulta o ritmo da pulsação plasmática favorecendo apenas a descarga energética.

“O feto, assim como ocorre com o embrião estressado, perde o ‘contato’ com o organismo que o hospeda (o útero, a mãe!) e reduz seu campo energético“ (NAVARRO, 1991, p. 20).

Estudos sobre o cérebro localizam o começo da consciência entre a vigésima oitava e a trigésima segunda semana, período em que os circuitos nervosos estão bem desenvolvidos. As mensagens são revezadas pelo cérebro e, posteriormente, distribuídas pelo corpo todo. Nesse momento também o córtex atinge um desenvolvimento que irá ajudar a consciência.

“[…] a criança antes do nascimento guarda as lembranças e é capaz de conservá-las” (VERNY, 1989, p. 32).

O dano causado ao feto pelas situações de estresse vivenciadas pela mãe, dependerá em grande parte da duração e intensidade desse estresse.

O bebê antes do nascimento requer uma atenção especial, pelo fato de ser um momento repleto de impressões, sensações e necessidades, as quais serão (ou não) supridas pela mãe, ao longo da gestação.

São dois corpos que pulsam afetos, sempre em busca de vida, mas que também se encontram permeados pelos ritmos da excitação gerados pelas experiências de amor ou decepção, medo ou agressão, agonia ou prazer.

Claro que é impossível evitar o stress , a raiva e a tristeza durante longos nove meses.
Acredite, há vida inteligente dentro da barriga.

De acordo com o neurologista Luiz Celso Vilanova, chefe do setor de Neurologia Infantil da Unifesp os estímulos do ambiente não acontecem apenas após o nascimento, podemos supor que haja formação de sinapses já dentro da barriga”.

O estresse na gravidez pode trazer muitos problemas para o bebê, como atraso no uso da linguagem e problemas respiratórios, afirma o neurologista.

Estudos apresentados na Conferência da American Thoracic Society em Toronto relatam que gestantes estressadas podem aumentar as chances de o bebê sofrer com alergias respiratórias, principalmente asma.

De acordo com a pesquisa, o feto responde ao estresse da mãe produzindo imunoglobulina E, um anticorpo relacionado ao desenvolvimento de alergias respiratórias.

Com o distúrbio emocional, o organismo da mãe diminui as barreiras que evitam que o bebê tenha contato com substâncias que façam mal a ele.

“As defesas maternas diminuem e o bebê fica mais predisposto a riscos nessa gravidez”, afirma Lister de Macedo Leandro, ginecologista e obstetra do Hospital São Luiz.

Outras pesquisas realizadas na Escola de Farmácia da Universidade Hebraica de Jerusalém e também no Imperial College em Londres relatam que o estresse durante a gestação pode:

  • atrasar o desenvolvimento da criança,
  • causando problemas de atenção e aprendizagem,
  • ansiedade,
  • sintomas depressivos,
  • atraso no uso da linguagem,
  • maior risco de apresentar transtorno de déficit de atenção, hiperatividade e até autismo.

Segundo os estudos, o estresse na gravidez tem maiores impactos sobre o bebê do que a depressão pós-parto. Os pesquisadores ainda não compreenderam como o impacto do estresse na gravidez pode afetar o feto, mas algumas evidências indicam que uma das causas pode ser o aumento do hormônio cortisol, o hormônio do estresse.

Podem existir Problemas de Aprendizagem na Prematuridade?

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS) são considerados pré-termo, os recém-nascidos com idade gestacional inferior a 37 semanas.

Embora grande parte dos prematuros não desenvolva alterações neurológicas graves, estes estão mais propensos a apresentarem alterações e/ou desvios em suas aquisições e desenvolvimento nas áreas motora, linguística e cognitiva.

E podem apresentar no futuro, como:

  • distúrbios de aprendizagem,
  • déficits de atenção,
  • problemas de comportamento,
  • déficits na coordenação motora,
  • percepção viso-espacial e dificuldades de linguagem.

Isto está relacionado com o fato deste bebê ser privado de um importante processo de desenvolvimento cerebral intra-uterino, que normalmente ocorre nas três últimas semanas de gestação. As áreas mais afetadas desse desenvolvimento são:

  • memória;
  • coordenação visomotora;
  • linguagem.

Por isso, consequentemente, a criança poderá apresentar prejuízos na aprendizagem escolar.

Por apresentarem atrasos nos períodos iniciais da linguagem verbal, estas crianças também apresentam riscos para o desenvolvimento do aprendizado escolar adequado, podendo persistir até a vida adulta.

Assim, a partir dos riscos que crianças prematuras apresentam no seu desenvolvimento de linguagem, pode-se hipotetizar que mesmo após o início da verbalização, seu ritmo de evolução seja mais lento do que crianças nascidas a termo, e podem existir diferenças no desenvolvimento entre a linguagem receptiva e expressiva.

A identificação destas alterações, principalmente antes do período de escolarização, auxilia no prognóstico.

Numa pesquisa realizada pela UNICAMP, que comparou crianças nascidas a termo e pré termo, observou-se que das crianças nascidas a termo e com peso normal:

  •  75% não apresentaram dificuldades de aprendizagem;
  • 20% mostraram alguma dificuldade escolar;
  • transtorno de aprendizagem foi observado em 5%.

Já para as crianças pré termo e com baixo peso, os dados foram diferentes:

  • 33% apresentaram transtorno de aprendizagem;
  • 35% apresentaram dificuldade escolar;
  • sem dificuldades apenas 32% da amostra.

As autoras também pontuaram a influencia de variáveis socioeconômicas, culturais, familiares e educacionais (Riechi e col, 2011)

Por todas as informações apresentadas que o Neuropsicopedagogo deve compreender bem como ocorreu o período da Vida Intrauterina de seus pacientes, pois certamente esses dados farão uma grande diferença no diagnóstico realizado.

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Veja ainda:Pesquisar IPI IPI – Investigação Psicopedagógica Intensiva

Leia também:A relação entre Neuropsicopedagogia e Neuropsicofarmacologia

4 comentários em “Investigação Neuropsicopedagógica da Vida Intrauterina

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